Reflexões profissionais 2014:1

Wallace Vianna é webdesigner, designer gráfico e desenvolvedor web.

A simplicidade é a maior vingança

Mesmo antes dos CMS havia a crença de que sites dinâmicos eram o estado-da-arte em desenvolvimento de páginas para a web. Fazer cada área da página ser carregada ao abrir a página pode ser prático para quem fez a página, mas pode tornar o conteúdo ilegível para buscadores de internet. Fazer páginas “simples” em que o layout não seja dependente da programação hoje é o mais indicado, pois a tecnologia tem de servir ao dono da página, e não ao programador que a fez.

Sites com “design magazine”, tipo página de revista ou jornal, onde cada milímetro custa dinheiro estão dando lugar ao “design móvel” ou design para dispositivos móveis, onde a página tem de ser simples ao extremo, para ser acessada em celular, ou tablet.

Esses cenários mostram que quem apostou na simplicidade estava certo. Se uma página é fácil de ser acessada num celular, num computador de mesa mais ainda. Se um site é acessível por um deficiente visual ou motor, mais fácil por pessoas sem deficiências.

A simplicidade estava certa. Chega de milhões de letrinhas miúdas em uma tela.

Chega de milhões de letrinhas e ícones miúdos em uma tela – apertada ou ampla. Que este novo paradigma seja adotado em breve em programas da Adobe como After Effects, ou de 3D como o Maya.

Mais Mac Mesmo

Não tenho nada contra o Macintosh ou Apple. Tanto é que em um de meus blogs tenho uma seção destinada ao MAC. Minhas melhores amizades são com usuárias de produtos Apple. Tenho portfólio e projetos feitos com Mac.

Às vezes faço piada com a Apple, ou aproveito piadas alheias (tamanho dos equipamentos da Apple, ora pequenos, ora maiores), brincadeiras de terceiros (trocadilho com PAD = gíria em inglês para absorvente feminino com iPAD, tablet da Apple),  mas o fato é que nem todo mundo entende a piada, como podem ver neste link. (Obs.: removi o link e posto aqui a imagem da página, sem identificação, para documentar o fato e não repetir a bobagem do citado, ao avesso).
O que fazer sobre pessoas como a deste link? Não dá sequer para ter raiva; apenas orar para que se iluminem e (um dia) se livrem dessa carga e vida negativa, que impedem de rir duma piada.

Estava lendo o Viver de Blog, e em determinado momento o autor diz “Por que esse fascínio pela Apple? Sei que existem pessoas que detestam a Apple (…)“.

Caro blogueiro ou leitor, o problema não é “com a Apple”, as empresas/coisas/objetos não são boas nem más, as pessoas por trás delas é que dão mérito ou demérito. O “problema” de haver rejeição pela Apple é semelhante ao das torcidas organizadas de futebol: uma minoria faz barulho e dá má fama à maioria, gente honesta, direita e trabalhadora.

O problema de rejeição não é “com a Apple”, e sim com uma minoria barulhenta que dá má fama à maioria dos bons usuários.

Por isso quando se fala “lá vem a torcida daquele time bicolor” ou “fulano é consumidor de produtos daquela empresa” (que não precisa ser a Apple) a primeira imagem que vem é dessa minoria barulhenta, que em hipótese alguma condiz com a maioria da torcida.

Enfim, a vida continua.

ipad-i-pad

Vídeo do alldumbs.com que faz humor com o Ipad.

Design Crowdsourcing

O termo Crowdsourcing na definição da Wikipedia é “é o processo de obtenção de serviços, idéias ou conteúdo necessários solicitando contribuições de um grupo variado de pessoas, a partir de uma comunidade on-line, ao invés de usar fornecedores tradicionais como uma equipe de funcionários contratados. O termo “crowdsourcing” é uma junção de “multidão” e “terceirização”; ele se distingue de terceirização pelo o trabalho vir de um público indefinido, ao invés de ser produzido por um grupo específico e fechado.”

Tive conhecimento na mídia através de sites de CrowdFunding ou financiamento coletivo. Achei a idéia boa, conseguir financiamento para seu projeto através de doações via internet e procurei ver na prática como funcionava através de sites de CrowdSourcing na área que me interessava: design. Me inscreví em sites de leilão de projetos de comunicação visual/design gráfico (embora nenhum deles se defina assim) onde uma pessoa pede um projeto, paga antecipadamente, e vários designers desenvolvem o projeto. O projeto ganhador leva o valor pago.

Crowdsourcing em design acaba sendo um tipo de leilão de projetos

Não gostei da experiência, pois ví buracos no processo: idéias “reprovadas” podem ser repassadas e comecializadas a terceiros, sem remuneração ao autor;  o projeto aprovado pode guardar grande distância do briefing solicitado (por cansaço do solicitante em avaliar milhares de projetos ou pela razão citada anteriormente – reutilizar idéias reprovadas); o designer acaba tratando o trabalho como um prêmio de loteria, pois desenvolve projetos sem ter certeza de remuneração; o tempo gasto num projeto não aprovado acaba se revertendo para o ganhador do processo (que não é você);

Design Sourcing assim sendo acaba sendo ideal para desenvolver e exercitar atividades de projeto, ou conhecer a profissão, mais ou menos como fazer um estágio. Ou algo como ganhar experiência em processos seletivos para um dia ser aprovado.
Se o prêmio for grande o suficiente (aparentemente nunca será, a não ser que se  ganhe repetidas vezes seguidas) ou se a pessoa deseja se forçar a montar um portfólio, está Ok. Agora, se o objetivo é ganhar dinheiro como no mercado de trabalho tradicional a coisa complica, pois o Design Crowdsourcing infelizmente acaba tendo muitas semelhanças com propostas de trabalho semiprofissionais, onde o cliente deseja forçar uma baixa no valor do orçamento através da “livre concorrência” entre profissionais e recém formados, ou onde se solicita trabalho sem remuneração com o argumento de avaliação de portfólio.

O modelo de negócios do design Sourcing ainda tem que evoluir, se quiser ser uma alternativa ao mercado de trabalho tradicional, autônomo. Do jeito que se apresenta, para mim é mais uma forma de estágio informal, na maior parte das vezes não remunerado.

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