Não me faça errar

Eu reescreveria o título deste livro assim, pois, o original – Don’t make me think/Não me faça pensar – deixa ambiguidades no ar (o livro é para fazer profissionais de web pensarem sobre projetos de internet, ao mesmo tempo que sugere que, projetos bem feitos, não fazem os usuários pensarem no que fazer).

Minha versão modestamente sugere que projetistas ou usuários não devem errar ao projetar ou usar um site. Do jeito que está sugere que o livro é feito exclusivamente para usuários de determinada marca de computador e sistema operacional…

O livro é muito bem escrito, mas o estilo irreverente “até o ponto certo” acaba sendo um calcanhar de aquiles: a real formação do autor fica no ar (se bem que para mim ele pode até ser botãnico, contanto que cumpra bem seu papel). Outra crítica que faço seria a versão brasileira – ela possui alguns poucos erros de revisão (indicação de páginas no índice) além de não indicar se os livros sugeridos pelo autor possuem versão em português.

O livro em sí é uma referência pois aborda questões técnicas de maneira prática e pragmática: como conceber testes de usabilidade que não custem mihares de dólares; como acabar com discussões de equipe  intermináveis sobre o que é “certo” e “errado” (funciona ou não) num projeto de sites; como elementos de interface devem ser projetados; como saber se seu site atende às perguntas gerais do visitante (“qual é o objetivo deste site?”, “por onde começo?”) ou perguntas específicas: (“o que é isso?””, “o que posso fazer aqui?”, “o que eles tem aqui?”, por que eu deveria estar aqui – e não em outro lugar?”).
Krug chama isso de  “teste do porta-malas” (imagine-se sequestrado, jogado num porta-malas e depois retirado dele para responder estas questões sobre um site): “que site é este?”, “em que página estou?”, “quais são as principais seções?”, “quais são minhas opções neste nível?”, “onde estou no esquema das coisas?”, “como posso realizar um a pesquisa?”.

O grande mérito do livro é mostrar que tecnologia não resolve questões de projeto. Design de interfaces tem a ver com pesquisar como as pessoas – ou grupos de pessoas –  reagem frente a um projeto. Talvez isso explique a resistência ou o desconforto dos profissionais de mídia impressa ao migrarem para mídia digital. Na mídia impressa questões de organização da informação já estão por demais bem resolvidas para que se tenha de pensar como as pessoas vão reagir frente ao que foi diagramado e impresso.

O site do autor possui links para download de um capítulo e sumário – como muitas livrarias online fazem – o que já é um bom começo para quem deseja avaliar se o livro atende as expectativas.

Nem preciso recomendar esse livro, uma vez que é indispensável a quem trabalha com internet.

Rocket surgery made easy, livro de Steve  KrugAcredito que seu livro novo – Rocket surgery made easy (tradução livre do tradutor de “Não me faça pensar”: “não é uma coisa de outro mundo”) seja um complemento interessante, já que explica exatamente como fazer um teste de usabilidade; e até onde sei não existe livro em português sobre o tema.

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